quem dera andassem juntos

quarta-feira, 22 de abril de 2009

dark was the night

Um disco que marca uma era e que contribui para uma das causas mais importantes do século XXI. A luta contra a AIDS.

dark was the night é o mais recente disco da coleção Red Hot.
E como todos os seus antecessores tem como objetivo angariar fundos pra luta contra o HIV.
produzido pelos irmãos dessner do the national. o disco é uma das mais bem sucedidas coletâneas dos ultimos anos. juntando um grande numero de artistas indie em 2 discos.
a organização Red Hot se dedica a luta contra a AIDS desde sua fundação em 1989.
de la pra ca foram 14 discos lançados,programas de televisão e eventos que geraram quase 7 milhões de dolares.
Nos 14 discos produzidos, a Red Hot passou por muitos estilos musicais. O disco mais conhecido da coleção é “Red Hot + Rio”, onde se pode ouvir parcerias inusitadas. A clássica e lindíssima composição de António Carlos Jobim, (Águas de Março), interpretada por Marisa Monte e David Byrne ou a união improvável de Cesária Évora, Caetano Veloso e Ryuichi Sakamoto em (É Preciso Perdoar), são apenas dois exemplos da diversidade destes discos. Ja em fase final de produção o sucessor, “Red Hot + Rio 2” que irá incidir no período pós-tropicalismo e no cruzamento do Samba com o R&B norte-americano.
dark was the night demorou 3 anos pra ser terminada, devido as negociações com os artistas envolvidos e os que ficaram de fora. Alguns convidados por artistas que ja estavam confirmados, como foi o caso do blonde redhead, convidados pelo arcade fire.
Outros que poderiam estar na coletanea como: animal coletive,lcd soundsystem,thom yorke e o proprio radiohead. No entanto, má vontade,cansaço e ate agentes "mudos", foram os motivos desses artistas não estarem no disco.
A lista conta com participações de artistas como Beirut, Arcade Fire, The National, Feist, Bon Iver, Young La Tengo, Antony, The Books, José Gonzaléz, Cat Power, Andrew Bird, Iron & Wine, Sufjan Stevens, David Byrne e Dirty Projectors,spoon,stuart murdoch...
Bom, dicas e informações dadas, é so clicar no link e ouvir depois.
download 1
download 2

terça-feira, 21 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

valsa com bashir

Em uma noite num bar, um velho amigo conta a Ari ( diretor de cinema ) sobre um sonho que tem repetidamente no qual 26 cães ferozes chegam ao prédio onde trabalha e mandam seu chefe lhe entregarem ou atacarão seus clientes. o sonho vem se repetindo por 2 anos.Toda noite o mesmo número de feras.
Os dois homens concluem que existe uma ligação entre o sonho e sua missão no exército de Israel na primeira Guerra no Líbano no início dos anos oitenta. Ari se surpreende por não conseguir lembrar de mais nada sobre aquele período de sua vida. Intrigado por esse mistério, ele decide encontrar e entrevistar seus velhos amigos e companheiros na guerra espalhados pelo mundo. Ele precisa descobrir a verdade sobre aquela época e sobre si mesmo. Conforme Ari vai se aprofundando mais e mais nesse mistério, sua memória começa a assombrá-lo com imagens surreais...
sequências sensíveis e realistas,somadas a uma direção de arte pecável, mas não falível,elevam a animação um grau a frente. E mesmo muito subestimada faz jus ao cinema. mais que muitos filmes com pessoas.


VALSA COM BASHIR
ano: 2008
país: Israel, Alemanha, França
gênero: Animação,Documentário, Drama, Guerra
duração:86 min

realização
Ari Folman

trailer

download

“O novo hipócrita é magérrimo, ‘verde’ e antitabagista”

Sade é sem dúvida um autor famoso. Para alguns, ele é um gênio que grita pela liberdade em meio ao século das Luzes (um Voltaire maníaco por sexo), para outros, mero tarado sexual com dotes literários medíocres. Apesar de tê-lo lido com alguma atenção e entender um pouco o que os especialistas veem nele, suspeito que, antes de tudo, seu sucesso se deu porque ele era um nobre "em desgraça" que escrevia pornografia pesada (quem não gosta?). Se ele estiver certo, somos todos tarados sexuais. Mas levemos a sério sua "crítica" e vejamos aonde ela nos levaria hoje.
Sade [na reprodução] funda uma "tradição" que é ver no sexo algo além dele. Muitos o seguiram nessa suspeita de que sexo é mais do que sexo. O Sade político ou psicanalista é o mais famoso. Mas há um Sade "metafísico". Segundo sua metafísica, a Natureza é perversa e cruel e, portanto, a rigor, não há crime ou transgressão porque a regra é o crime e a transgressão. Nesse sentido, ele se aproxima muito dos cristãos antigos conhecidos como gnósticos, caras que afirmavam que o mundo foi criado por um deus mau. Segundo o que nos legou os críticos desses gnósticos, alguns deles se entregavam a todo tipo de sexo, menos o reprodutivo, como forma de desafio ao deus mau. Diriam eles: "Veja, oh! Miserável deus, você nos fez gostar de sexo para reproduzir suas vítimas, por isso fazemos apenas sexo estéril". Já há aqui algum indício da "sexualidade de protesto".
Mas o Sade político e psicanalista é mais fácil de circular em jantares inteligentes. Seus frequentadores são consumidores envergonhados de antidepressivos, não aturam pessimismo de gente grande como a metafísica de Sade. A política sadiana identifica na moral social a intenção de nos destruir pela repressão do desejo. Quem busca a "virtude", como sua personagem Justine, é objeto "feito" para ser torturado por uma sociedade que dá corpo à crueldade da Natureza louca. A revolta nesse caso é ser sexualmente "livre": transformar-se no libertino, ou seja, no torturador, identificando-se com a "regra da crueldade gostosa".
Já o Sade psicanalista é aquele que "pressente" o gozo da pulsão de morte como natureza essencial do animal louco que seríamos. Violência, revolução e gozo.
Depois dele, nunca mais fomos para cama com alguém sem levar junto Freud (mamãe e papai), Marx (e a ideologia de classe), Foucault (e a microfísica do poder invisível), enfim, haja cama grande para tanta gente. Não fazemos mais sexo, fazemos política e sintomas quando temos tesão por alguém. Confesso que no fundo acho esse papo de perversão sexual meio "boring" (um saco): bater, queimar, cortar, apanhar, ser queimado, ser cortado. A mesma lengalenga de sempre. A morte para um perverso é achá-lo entediante. Na realidade, a política sadiana hoje está espalhada em sites sado-maso banais.
Acho mais interessante imaginar o que Sade teria escrito hoje, se vivesse em nossa época, dada a delírios de uma nova "pureza". Imagine, caro leitor, que existem pessoas que "salvam" o mundo comendo alface! Um exército de rúculas! O que seria transgressivo no caso da "nova pureza"? Tiraria ele sarro do "pai Obama"? Ou talvez ele fumaria um cigarro no meio de um templo onde se reúnem os fascistas da saúde?
Mas tabaco faz mal! Claro que sim, mas ser violentada por cinco caras também faz mal. Fazer sexo nos telhados, como gatos, também faz mal. Por que achar que isso é libertador e fumar não? Vamos adiante, quem é o novo Sade? Que tal comer gordura trans? Ou será que a "ciência da comida saudável" já mudou de novo e agora comer gordura trans combate ataques cardíacos? Vejo um Sade gordo, dilacerando uma picanha em meio a um restaurante de comedores de rúculas. Chorariam? Ou o espancariam? Vaquinhas jamais, mas sádicos comedores de carne e fumantes merecem uma surra? Ou apenas desprezo e nojo? Os nazistas também eram defensores dos animais...
Sua Sodoma seria deliciosamente poluída, rindo das "medições" do aquecimento global. No lugar da teoria Gaia da "mãe terra", a "devoradora terra" gargalhando de nossa "devoção verde".
O Sade do sexo envelheceu. Hoje todo mundo acha chique achá-lo chique. O novo Sade é aquele que, talvez, debocharia de uma sociedade da saúde. O que nos humaniza são os vícios, não as virtudes. Temo pessoas que não têm vícios. O novo hipócrita é magérrimo, "verde" e antitabagista.


Luiz Felipe Pondé